BRASIL É UM CELEIRO DE ENERGIAS SUSTENTÁVEIS

Por Marcos Antonio Fujihara
Sócio da PricewaterhouseCoopers

 

Sem dúvida alguma o Petróleo abriu caminho a uma das etapas mais inovadoras para o progresso da humanidade e o desenvolvimento das nações, mas também é certo que seu impacto sobre o meio ambiente e sua incidência no crescimento desequilibrado da economia mundial produz aspectos negaivos por demais conhecidos.

A nova civilização pós-petróleo, na melhor das perspectivas, ao afirmar o direito à energia, abriria o caminho de uma ética social objetiva que permitiria a democratização não somente da energia, mas de um modelo econômico e social destinado a saldar as diferenças históricas entre o Norte e o Sul.

Dado esse contexto, o Brasil pode e deve cumprir um papel absolutamente central neste jogo. Justificativas não faltam. Dentre as quatro maiores economias ditas emergentes – os chamados “BRIC” (Brasil, Rússia, Índia e China) –, nosso país é o único que realmente pode se utilizar de uma matriz energética limpa e basicamente renovável durante todas as etapas de desenvolvimento.

O projeto energético do futuro pode ser produto de uma proposta política que contemple a colaboração da União Européia, desde que esta sinalize estar comprometida com este desenvolvimento tecnológico. A iniciativa traria para países como o Brasil conseqüências econômicas importantes. Isto requer o estabelecimento, em tempo oportuno, de uma estratégia coerente que aborde a produção, o transporte, a distribuição e o uso das novas fontes de energia.

O Brasil e outras nações deveriam estabelecer, a longo prazo, um marco que estabelecesse um sistema adequado de pesquisa e um plano de ação que permitisse o acesso conjunto a uma nova civilização pós-petróleo.

Trata-se fundamentalmente de desenvolver tecnologias baseadas no uso extensivo de recursos não convencionais. Na agricultura, isso se traduziria na recuperação da biodiversidade para obter nutrientes do solo, água e serviços biológicos. A reciclagem para recuperar nutrientes após uso urbano, a produção de biomassa para finalidades diversas, o aproveitamento da força do sol e do vento como principais fontes de energia são outras resoluções viáveis.

Um acordo desta natureza deve necessariamente considerar a economia do hidrogênio, bem como incluir o ambiente como um terceiro fator fundamental junto ao trabalho e ao capital.

A imposição de um modelo tecnológico sem estudos econômicos e energéticos conclusivos e sem que a população conheça, discuta e absorva os novos paradigmas culturais pode gerar problemas ainda maiores que os que se propõe solucionar, pois inadvertidamente estará contribuindo ao fortalecimento dos grupos hegemônicos.

Nesse sentido, é imprescindível apoiar as inovações tecnológicas adequadas para a transição ao Desenvolvimento Sustentável que estão surgindo na América Latina e, especialmente, no Brasil. Entre elas vale ressaltar:

(I) Modelos de sistemas agrosilvipastoris com visão integrada, que podem contribuir de fato para a nova visão de uma agricultura mais sistêmica e integrada;

(II) Sistemas agrícolas diversificados integrados à produção de etanol e à co-geração de eletricidade. A denominada agricultura energética pode e deve estar incluída em todas as nossas agendas;

(III) Novos métodos de contabilidade empresarial e governamental que levem em conta as contribuições da natureza e as externalidades negativas e positivas. Eles permitem que possamos dar a devida transparência às nossas ações, acessíveis a todas as partes interessadas;

(IV) Métodos de certificação daqualidade dos alimentos e das matérias- primas agropecuárias, da sustentabilidade e da intensidade de uso de energia não-renovável de produtos agrícolas e industriais. Na verdade, trata-se de afirmar e evidenciar através de princípios claros, critérios insofismáveis e, sobretudo, de indicadores devidamente monitorados o comprometimento com um desenvolvimento realmente sustentável nas cadeias de produto e processo;

(V) Métodos de análise de propriedades agroecológicas dentro de bacias hidrográficas, que podem tomar o cenário das bacias hidrográficas como o mais adequado para nossas avaliações. Em termos de agroecologia, parece-nos um passo adiante no entendimento dos serviços e produtos de um dado ecossistema;

(VI) Novos métodos de apresentação de indicadores de desempenho ecológico-energético. Esses indicadores devem refletir a nossa preocupação constante com a métrica de variáveis que não estão necessariamente sob nosso pleno entendimento;

(VII) Novos métodos de modelagem e simulação do comportamento de ecossistemas. Novamente carecemos de um maior número de variáveis para nosso pleno entendimento desta questão; Só assim o Brasil estabelecerá um modelo paradigmático e sustentável de matriz energética renovável.