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Sem dúvida
alguma o Petróleo abriu caminho a uma das etapas mais
inovadoras para o progresso da humanidade e o desenvolvimento
das nações, mas também é certo
que seu impacto sobre o meio ambiente e sua incidência
no crescimento desequilibrado da economia mundial produz aspectos
negaivos por demais conhecidos.
A nova civilização pós-petróleo,
na melhor das perspectivas, ao afirmar o direito à energia,
abriria o caminho de uma ética social objetiva que permitiria
a democratização não somente da energia, mas de um modelo
econômico e social destinado a saldar as diferenças históricas
entre o Norte e o Sul.
Dado esse contexto,
o Brasil pode e deve cumprir um papel absolutamente central
neste jogo. Justificativas não faltam. Dentre as quatro maiores
economias ditas emergentes – os chamados “BRIC” (Brasil, Rússia,
Índia e China) –, nosso país é o único que realmente pode
se utilizar de uma matriz energética limpa e basicamente renovável
durante todas as etapas de desenvolvimento.
O projeto energético do futuro pode ser produto de uma proposta
política que contemple a colaboração da União Européia, desde
que esta sinalize estar comprometida com este desenvolvimento
tecnológico. A iniciativa traria para países como o Brasil
conseqüências econômicas importantes. Isto requer o estabelecimento,
em tempo oportuno, de uma estratégia coerente que aborde a
produção, o transporte, a distribuição e o uso das novas fontes
de energia.
O Brasil e outras nações
deveriam estabelecer, a longo prazo, um marco que estabelecesse
um sistema adequado de pesquisa e um plano de ação que permitisse
o acesso conjunto a uma nova civilização pós-petróleo.
Trata-se fundamentalmente
de desenvolver tecnologias baseadas no uso extensivo de recursos
não convencionais. Na agricultura, isso se traduziria na recuperação
da biodiversidade para obter nutrientes do solo, água e serviços
biológicos. A reciclagem para recuperar nutrientes após uso
urbano, a produção de biomassa para finalidades diversas,
o aproveitamento da força do sol e do vento como principais
fontes de energia são outras resoluções viáveis.
Um acordo desta natureza
deve necessariamente considerar a economia do hidrogênio,
bem como incluir o ambiente como um terceiro fator fundamental
junto ao trabalho e ao capital.
A imposição de um modelo
tecnológico sem estudos econômicos e energéticos conclusivos
e sem que a população conheça, discuta e absorva os novos
paradigmas culturais pode gerar problemas ainda maiores que
os que se propõe solucionar, pois inadvertidamente estará
contribuindo ao fortalecimento dos grupos hegemônicos.
Nesse sentido, é imprescindível
apoiar as inovações tecnológicas adequadas para a transição
ao Desenvolvimento Sustentável que estão surgindo na América
Latina e, especialmente, no Brasil. Entre elas vale ressaltar:
(I) Modelos de sistemas
agrosilvipastoris com visão integrada, que podem contribuir
de fato para a nova visão de uma agricultura mais sistêmica
e integrada;
(II) Sistemas agrícolas
diversificados integrados à produção de etanol e à co-geração
de eletricidade. A denominada agricultura energética pode
e deve estar incluída em todas as nossas agendas;
(III) Novos métodos
de contabilidade empresarial e governamental que levem em
conta as contribuições da natureza e as externalidades negativas
e positivas. Eles permitem que possamos dar a devida transparência
às nossas ações, acessíveis a todas as partes interessadas;
(IV) Métodos de certificação
daqualidade dos alimentos e das matérias- primas agropecuárias,
da sustentabilidade e da intensidade de uso de energia não-renovável
de produtos agrícolas e industriais. Na verdade, trata-se
de afirmar e evidenciar através de princípios claros, critérios
insofismáveis e, sobretudo, de indicadores devidamente monitorados
o comprometimento com um desenvolvimento realmente sustentável
nas cadeias de produto e processo;
(V) Métodos de análise
de propriedades agroecológicas dentro de bacias hidrográficas,
que podem tomar o cenário das bacias hidrográficas como o
mais adequado para nossas avaliações. Em termos de agroecologia,
parece-nos um passo adiante no entendimento dos serviços e
produtos de um dado ecossistema;
(VI) Novos métodos
de apresentação de indicadores de desempenho ecológico-energético.
Esses indicadores devem refletir a nossa preocupação constante
com a métrica de variáveis que não estão necessariamente sob
nosso pleno entendimento;
(VII) Novos métodos
de modelagem e simulação do comportamento de ecossistemas.
Novamente carecemos de um maior número de variáveis para nosso
pleno entendimento desta questão; Só assim o Brasil estabelecerá
um modelo paradigmático e sustentável de matriz energética
renovável.
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